
O QUE É A COMPOSTAGEM?
A compostagem doméstica é uma forma de evitarmos que o nosso lixo acabe num aterro sanitário.
A compostagem é o processo biológico de degradação de resíduos orgânicos, pela ação de microorganismos, resultando num excelente adubo para o solo.
Para termos sucesso na nossa compostagem, é necessário termos em atenção a quais os resíduos que podemos colocar, a quantidade, a humidade e o ar na medida correta.
QUAL A IMPORTÂNCIA DE FAZERMOS COMPOSTAGEM?
Fazermos compostagem, vai ajudar-nos a uma maior consciencialização da quantidade de resíduos que produzimos, e leva-nos a encontrar formas de os evitarmos.
É ainda, uma ótima forma sermos responsáveis pelos nossos resíduos.
A compostagem doméstica transforma os nossos resíduos orgânicos num adubo muito rico em nutrientes para o solo.
Este adubo poderá ser utilizado nas nossas plantas ou na preparação de canteiros e hortas. Desta forma, fecharíamos o ciclo, a chamada economia circular.
O QUE COLOCAR NO COMPOSTOR?
Existem duas categorias de resíduos que podemos colocar no compostor: húmidos ou secos.
A matéria seca é, por exemplo, folhas secas caídas, serradura, pequenos ramos ressequidos, cartão, caixas de ovos, etc. que fornece carbono ao nosso adubo, enquanto que a matéria húmida, que são os nossos resíduos orgânicos, fornecem azoto.
Para te ajudar a compreender melhor o que podes colocar no teu compostor, vamos falar um pouco mais pormenorizadamente de tipos de compostagem, a Termofílica, a Vermicompostagem e a Bokashi.
TERMOFÍLICA
A compostagem termofílica é a opção mais “tradicional” que existe, muito comum em quintais e jardins.
Existem 3 regras muito importantes: misturar, arejar e humidificar!
Misturar regularmente vai garantir a distribuição dos microrganismos.
Arejar, pode ser feito com um cabo de vassoura antigo. Desta forma, permitimos que o ar penetre.
Remexer para que não falte oxigénio!
Deves ter sempre 2 compostores, para que quando o compostor estiver cheio possa repousar entre 60 a 90 dias, enquanto isso vamos enchendo o outro compostor.
O QUE PODES E O QUE NÃO PODES COLOCAR?
Podes colocar todos os resíduos vegetais (cascas de frutas e de legumes), borras de café e chá, cascas de ovos limpas, folhas secas, cascas de frutos secos, cartão, ramos e pequenos troncos partidos e madeira não tratada.
Não podes colocar: Matérias não orgânicas (areia e terra), ferro, metal, plástico e madeira tratada.
QUAIS OS PASSOS A SEGUIR?
Vai reservando os teus resíduos numa caixa bem fechada no frigorífico.
Antes de os colocares no compostor, corta-os em pedaços pequenos, porque isso vai tornar o processo mais rápido.
Quando os fores colocar no teu compostor abre um pequeno buraco e mistura bem com os resíduos antigos.
Muito importante, devemos colocar a mesma quantidade de resíduos orgânicos húmidos e secos, por isso utiliza a mesma caixa para medires uma porção igual de matéria seca triturada, e cobre os novos resíduos.
VERMICOMPOSTAGEM (Compostagem com minhocas)
As duas espécies de minhocas mais utilizadas na vermicompostagem em apartamento são a Eisenia fetida e Eisenia andrei.
Podemos começar com 250 minhocas, pois estas duplicam–se a cada 60 a 90 dias.
O compostor deve, no mínimo, ter 3 caixas. A de baixo é onde fica biofertilizante líquido, e as outras duas são onde vivem as minhocas.
Na caixa superior é onde colocamos os resíduos e na do meio é onde acontece a digestão. As caixas das minhocas devem ter furos de 5 mm no fundo.
O compostor deve ficar sempre dentro de casa. No verão, devemos colocá-lo na área mais fresca da casa, e se necessário colocar garrafas de água congeladas no interior para refrescar. No inverno, devemos proteger do frio.
O QUE PODES E O QUE NÃO PODES COLOCAR?
O que podes colocar: Sobras de frutas, legumes, verduras, cereais, grãos, cascas de ovos, borra de café e chá, filtro de café́ e cartão.
O que podes colocar com moderação (Nunca mais que 20% do total de resíduos): Guardanapos, rolo de cozinha, frutas cítricas e alimentos cozidos.
O que nunca se deve colocar: Carnes e ossos, resíduos podres; fezes de animais e líquidos (leite, sopa, etc), ananás, temperos fortes (alho, cebola, gordura e plantas aromáticas).
QUAIS OS PASSOS A SEGUIR?
Devemos cortar os resíduos em pequenos pedaços e guardá-los numa caixa no frigorífico.
Podemos colocar os resíduos no nosso compostor 2 a 3̂ vezes por semana. Irá depender da quantidade de minhocas, do tamanho das caixas e da quantidade de resíduos que colocámos anteriormente.
É muito importante o equilíbrio de resíduos húmidos e secos. Uma parte de matéria seca triturada para cada parte de matéria húmida. No final, devemos sempre cobrir com uma camada de matéria seca.
Quando o compostor estiver cheio, deveremos utilizar outro, enquanto este fica a descansar por aproximadamente 60 dias.
COMO RETIRAR O HÚMUS?
Devemos evitar a acumulação de húmus, para não causar desconforto nas minhocas.
Este deve ser retirado de forma gradual.
Abrimos a caixa e deixamos entrar a luz, as minhocas vão fugir e vão-se esconde.
Com a mão e com uma pá de jardinagem, retiramos o humús da parte superior.
Aguarda 10 segundos para que as minhocas se voltem a esconder e volta a retirar mais uma camada de húmus. Repete este processo até atingires 5 a 7 cm de húmus. Deixamos esta camada no interior da caixa e podemos começar novamente o processo de compostagem.
BOKASHI
Bokashi é um termo japonês que significa matéria orgânica fermentada.
Tem duas etapas: a fermentação anaeróbia, e a verdadeira decomposição.
Na 1º etapa utilizamos um farelo de microrganismos, que permite fermentar os nossos resíduos.
A 2ª etapa poderá ser feita num vaso ou diretamente no solo, onde temos de colocar pelo menos 2 porções de terra para cada porção de resíduos fermentados.
Também podemos fazer a 2ª etapa noutro compostor (Termofílico ou vermicompostor), onde devemos seguir as normas destes tipos de compostagem.
Temos de esperar pelo menos 2 semanas para utilizar o solo adubado com Bokashi nas nossas plantas, pois precisa de estabilizar o pH.
O QUE PODES E O QUE NÃO PODES COLOCAR?
O que podes colocar: Sobras de legumes e vegetais (crus ou cozinhados, com ou sem tempero), frutas, pão, carne, pequenos ossos, queijo, arroz e massa, cascas de ovos, borras de café e filtros de papel, flores caídas e ervas aromáticas.
O que não podes colocar: Todos os resíduos que não sejam orgânicos. Não é recomendados colocar resíduos muito líquidos, como leite e sopas, fezes e papel higiénico usado.
QUAIS OS PASSOS A SEGUIR?
Começamos por cortar os resíduos em pequenos pedaços e colocamos no interior do compostor. A camada de resíduos não deve ser superior a 2 dedos. Após colocarmos a camada, temos de amassar para compactar os resíduos. De seguida espalhamos uma colher cheia de farelo Bokashi por cima dos resíduos. Se tivermos muitos resíduos, temos de repetir todo o processo.
No final, fechamos o compostor e certificamo-nos que está bem vedado.
Podemos fazer este processo no máximo 1 vez por dia, pois devemos evitar abrir muitas vezes para que não entre muito ar.
Depois de cheio, deixamos descansar no mínimo por 2 semanas, mas vamos sempre retirando o líquido que sai pela torneira (2 a 3 vezes por semana).
Se após todas estas sugestões, mesmo assim não tens condições para fazer compostagem, procura locais de entrega perto de ti ou amigos que tenham um compostor.
Podes utilizar a plataforma sharewaste.com para encontrares pessoas perto de ti que fazem compostagem e a quem podes doar os teus resíduos orgânicos. Também te podes inscrever como recetor do lixo.
Por exemplo, em Lisboa, há o projeto “Lisboa a Compostar”. Se tiveres uma habitação com logradouro, quintal ou jardim, podes inscrever-te para receberes um compostor! Caso não tenhas espaço, podes utilizar um dos compostores comunitários espalhados pela cidade.
Fonte e Apoio: Mudatuga